Yo pessoas, Bruno aqui trazendo o que seria o primeiro post aqui nesse blog e eu não tenho a mínima ideia do que escrever por aqui.
Eu já tenho certa experiência com criação de conteúdo escrito e também em vídeo (inclusive com canais no Youtube e Twitch) porém faz muito tempo que não coloco minhas ideias pra frente então o motivo de decidir em 2020 retornar a esse meio ainda é meio obscuro pra mim.
Em Maio desse ano vão fazer 20 anos que eu tive contato com RPG de mesa. Eu era apenas um guri estranho que não tinha muitos amigos quando estava na escola e tive a chance de assistir uma sessão e rolar um d20. Desde aquele dia eu me apaixonei totalmente e anos vêm e vão sem que eu me solte totalmente do RPG e nem firme meu chão nele, diversos projetos foram abandonados sem ao menos serem escritos, vários materiais que amigos e colegas achavam interessante ficaram apenas nos meus pensamentos e por fim a vontade de ensinar a nova guarda o quanto papeis e um punhado de dados podem te trazer diversão durante horas e vários sentimentos que vão flutuar entre felicidade, medo, desgosto, raiva e a mais pura sensação de conquista.
Isso é RPG. É trazer sua imaginação e viver um personagem que você criou num mundo onde você participa de coisas que possivelmente você jamais teria chance de fazer, principalmente se isso envolver enfrentar um poderoso mago e salvar todo um reino das garras desse usuário de magia.
Com o decorrer dos anos me aprofundei na “arte” da narrativa melhorando minhas habilidades como mestre e hoje posso dizer que tenho uma bagagem aceitável para passar conhecimento pra frente. Não estou aqui como o dono da verdade mas sim alguém que já passou muitos anos atrás dela e mesmo estudando bastante eu sei que ainda tenho muita estrada para percorrer.
A minha ideia é trazer materiais para mestres e jogadores se tornarem melhores mestres e jogadores, simples não é mesmo? Pequenos artigos onde eu passo minha pouca experiência para vocês e vocês decidem como fazer melhor uso dela. Outro ponto é que não pretendo me ater apenas a um sistema. Mesmo estando mais aprofundado com D&D certos ensinamentos transcendem o tipo de dado que você rola ou personagem que você cria.
Não pretendo me limitar no cenário medieval ou do Mundo das Trevas então todos que estão lendo isso aqui se sintam convidados a aprender junto comigo melhores meios de sermos melhores afinal, antes de tudo, RPG é uma forma de conhecer e se ligar a pessoas. É uma atividade que une e cria laços e amizades que podem vir a durar anos e por vezes até mesmo décadas.
E creio que é isso por apresentação. Vou tentar postar com certa frequência e vou preciso organizar meus horários para isso.
Como spoiler do que vem pela frente pretendo trazer os avanços no meu projeto de cenário de campanha para D&D, após anos eu decidi colocar no papel então vai ser bom postar em algum lugar. Os diários de campanha da minha mesa de D&D 5e em Forgotten Realms também é algo que pretendo postar para vocês acompanharem as aventuras (e desventuras) dos meus atuais jogadores e também guias para ser um melhor mestre/jogador.
É isso meus caros e caras, espero que sejam pacientes com minha pessoa e que gostem das postagens. Até uma próxima e que Tymora traga críticos abençoados pra vocês.
Como eu gosto de imaginar personagens saindo da masmorra. Ferrados e ricos com um sorrido por sobreviver.
Lamentations of the Flame Princess. Retroclone do D&D B/X que eu particularmente adoro desde que conheci. Raggi IV é um homem que colocou a visão pesada de bandas de death metal juntamente com uma europa estilo século 16/17 e H.P Lovecraft num liquidificador e saiu essa coisa linda chamada LotFP juntamente com uma carreta de material, aventuras, complementos para cenários e tudo mais.
Essas últimas semanas tem sido bem complicado manter um grupo de RPG por alguns motivos que com certeza valem a pena citar:
1- Falta de comprometimento de jogadores.
Nem comento… Você me faz perder tempo de passar HORAS te explicando como funciona o cenário caso você não conheça, HORAS te explicando coisas sobre a criação de personagem, DIAS preparando sua entrada pra jogar e etc ai depois de uma sessão você simplesmente some e caga pra mesa pra avisar faltando UMA HORA PRA SESSÃO COMEÇAR que não vai poder aparecer por “insira um motivo merda aqui”. Cara… Não…
2- Falta de noção comportamental dentro e fora da mesa.
Eu não ligo, de verdade, não ligo. Eu não sou extremista a ponto de excluir pessoas (deveria pois 2020 ta foda) por causa do credo religioso, sexualidade, opção política ou o que for DESDE QUE essa merda toda não vaze para dentro da mesa.
Chegou domingão? Deu o horário da mesa? Guarde tudo isso pra VOCÊ.
Dentro da mesa, no mundo chamado “insira o nome do cenário aqui” você é um morador desse mundo, um habitante que estava ai ANTES do seu personagem nascer então se comporte de acordo. Pare de agir como se fosse um ser especial espacial dos grandes antigos Hail Hydra XXX! Pare de achar que seu personagem é dono do lugar pois você não é, você é só um aventureiro bunda que teve a sorte de não morrer para goblins enquanto estava no começo de sua carreira e agora tem um pouco mais de dinheiro e experiência que tinha antes.
3- Consequências ignoradas.
Praticamente um complemento do item anterior. O cara acha que sair matando NPCs por ai ou tentando coagir pessoas a fazer o que ele quer, usar magia sem respeitar normas e etc não vai atrair uma coisa chamada LEI pra cima dele.
“Mais Bruno, eu jogo RPG para se divertir, não pra ficar lendo a constituição do cenário que eu jogo. Isso limita minha criatividade como jogador.”
Sabe o que irrita? Você jogadorzinho usar esse argumento merda pra agir de maneira tosca em mesas. Entenda duas coisas:
Se seus mestres não usam consequências nos jogos deles é JOGO DELES. Isso não se aplica a todo mundo do mundo (ainda bem) e se aplicasse eu definitivamente seria uma exceção.
Se você acha que pra jogar RPG você tem que agir como se estivesse jogando GTA San Andreas com os cheat tudo ligado e as estrelas no máximo comece a mudar um pouco seu ponto de vista. Vai chegar o dia que 5 outras pessoas ao seu redor não vão estar gostando da sua atitude e depois você vai ficar revoltadinho que o mestre ficou te “proibindo” de interpretar esse seu personagem lixo ai.
O que eu mais tento é ser realista com o mundo em si. Vejam bem que eu não disse realista com RPG, eu disse realista com o cenário.
Se no cenário for crime matar alguém é claro que eu vou colocar a milícia atrás do cara que matou um aldeão a troco de nada. Isso é o exemplo mais exagerado porém causar brigas, roubar, coagir, usar magia, portar armas e etc, se estiver escrito que na região tal do cenário tal eu vou usar isso e jogadores, se seu mestre perde horas do dia dele lendo coisas sobre um cenário para deixar as sessões mais imersivas possível aprecie e valorize isso.
Não é todo mundo que faz isso de graça e se nas minhas mesas comissionadas os jogadores apreciam isso (e tenho certeza que não é por estarem pagando pois quando eu faço merda eles comentam) por que a minha que é GRÁTIS não consegue? Se estiverem achando ruim por favor, arrumem outra mesa que o mestre deixe queimar cidades enquanto passam e ainda tem a benção do rei e são tratados como heróis imaculados, isso facilita e MUITO minha vida.
Perdi o foco (maldita TDAH) mas enfim, voltando.
Eu não estava conseguindo firmar 6 jogadores que tivessem o mínimo de comprometimento, engajamento e o básico do comportamento entre pessoas pra conseguir manter a mesa então peguei os 3 que tem esses parâmetros, juntei umas pessoas random que achei em grupos por ai e estou jogando esse “playtest” usando o LotFP.
Por que playtest? Eles estão jogando no meu cenário autoral que pretendo quem sabe um dia publicar.
As duas primeiras sessões foram os personagens como simples pessoas vivendo as vidas deles e após algo ocorrer eles foram marcados com o conhecimento que o mundo não é bem da forma que eles achavam que era e agora eles estão buscando mais informação sobre isso, querendo vingança dessas coisas estranhas que estão por ai ou simplesmente querendo fama e fortuna caçando criaturas soturnas que avacalham pequenas vilas.
E foi incrível… Pelo menos para mim (espero que não ahhahah).
O fato deles não terem uma ficha incrível como o D&D 5e com inúmeras habilidades e etc eles sabiam o nível de força e limites deles. O começo da primeira sessão ter sido dois dos personagens estarem num jogo de gato e rato com uma criatura que parecia um lobo super crescido enquanto eles tentavam escapar num galpão de lenhadores foi incrível, segundo um dos jogadores no feedback pós sessão, ele sentiu tanto medo e tensão que já estava preparando opções de outros personagens na cabeça dele.
Eles terem que resolver problemas usando a própria inteligência e não buscar habilidades mágicas tiradas do nada (até hoje não consigo sacar por que feat Keen Mind da 5e não é APENAS para pessoas que tiveram a vida no meio do mato para saber essas coisas de maneira natural por costume) para resolver para eles. Uso criativo do cenário e de itens mundanos para escapar de situações que poderia levar um personagem para a morte.
E é exatamente isso que meu cenário quer passar. Os jogadores tem personagens que são fazendeiros, guardas, vendedores e eles passam por algo que muda a vida deles. Essa mudança é o chamado para a aventura e dependendo pode ser a ruína ou a benção que eles precisavam para obter um norte.
Agora o grupo está formado com os personagens atingindo o nível 1 e prontos para fazer seja lá o que eles pretendam.
Os dois lenhadores e o marceneiro do grupo após caçar uma criatura que parecia um lobo gigante super inteligente e quase morreram após um combate muito unilateral por parte da criatura foram salvos aos trancos por um caçador que fez a besta fugir. Eles conversaram com os dois NPCs, um dos chefes dos lenhadores que já caçava essa criatura e o caçador que parece bastante conhecedor dessas coisas decidiram virar aprendizes deles e serão um Pistoleiro (Gunslinger), um Imortal (Highlander) e um Caçador (Hunter).
A florista que não acompanhou o grupo para caçar um lobo grande encontrou no meio da noite uma garota que estava bebendo sangue pelos dedos de alguns dos guardas e após a ajuda de um garoto com vestes vermelhas segurando uma grande corrente com um relógio com espinhos na ponta conseguiu empalar uma tesoura de jardinagem no coração da estranha garota que virou fumaça e desapareceu entrando num poço da cidade. E após seguir o garoto poço adentro ela percorreu um grande caminho para escolher seu destino e por fim se tornou uma Alice de Denari (Alice Paladina).
Por fim o guarda da cidade que acompanhou os lenhadores e marceneiro na caça da criatura não está indo pelo destino que foi oferecido de bom grado. No lugar disso ele decidiu ir conversar com uma velha estranha que mora na cidade e vende ervas e outras plantas para conhecer mais sobre coisas místicas. Quem diabos sabe o que poderá vir a acontecer com esse homem que abandonou sua benção e vai procurar uma outra.
E esse foi o resumo do resumo das duas sessões que foram a “sessão zero” apresentando o sistema e o cenário. Estou muito tentado a fazer stream das próximas sessões mas infelizmente não acho que meu atual notebook vai suportar (é praticamente uma batata rodando) então será um projeto que eu vou deixar de lado um pouco mas vou tentar ao máximo colocar melhores resumos por aqui.
É isso, LotFP é um incrível sistema e me dá uma liberdade gigante com meu cenário, fora que adaptar classes criativas e interessantes é extremamente fácil. Espero que os jogadores estejam gostando e espero um dia poder mostrar isso para mais gente.
Por enquanto fico por aqui, que Tymora abençoe as rolagens de vocês.
Estava pensando em colocar essa postagem um pouco mais cedo na semana porém imprevistos ocorrem.
Frankensystem. Estou fazendo minhas experiências fazendo um mix com o B/X, AD&D e usando o ASSH como base e tem dado muito certo em vários pontos. Na última sessão ocorreu um leve combate onde uma parte do grupo enfrentou um homem misterioso após tentarem ir buscar informações sobre um grupo de aventureiros vindos de outra região que estavam interessados em comprar um certo artigo em posse da maga do grupo e essa cena em si fez com que jogadores que nunca tiveram contato com sistemas da época Gygax tivessem um choque, de maneira positiva claro.
O combate foi muito interessante com as regras de fases do ASSH e iniciativa em grupo e mesmo sendo um cenário favorável ao grupo pois estavam em 3 contra apenas um (e após o guerreiro iniciar a luta com um crítico com dano x3 que fez o favor de arrancar o braço do homem misterioso) o combate continuou de maneira muito equilibrada, para possível desespero do grupo que com certeza percebeu que o tal oponente não era nem um pouco perto do nível de poder atual deles.
O clérigo ficou em leve pânico após perceber que usar suas magias divinas poderiam falhar e ele não iria conseguir curar o guerreiro que estava sendo focado estava bem ferido no decorrer dos turnos (regra vinda do sistema de magia do DCC onde a magia deve ser sucedida num teste de conjuração para funcionar) e se não deu pro fighter, ia sobrar fazendo ele e o paladino que estava sem armadura virarem alvos e sofrerem bem mais (spoiler, o carinha bate em AC -4 sem nem fazer esforço e são 2/1 ataques nos espinhaço batendo 3d4+6, chorai-vos).
Fora o combate tendo sido mais “tenso” em certos aspectos, trouxe um ar menos “Marvel Super Heroes”. Num combate de mesmo nível usando a 5e os números iriam variar entre 30 e 50 de dano, curas beirando 20 pontos e claro, inúmeras ações com micro ações entre e sinceramente isso iria transformar o que deveria ser um susto rápido para aquecer o sangue de uma parte do grupo e também dar para eles um plot hook interessante viraria uns 45 minutos de combate onde ao final o grupo estaria inteiro após um possível descanso curto e não teria nenhuma consequência no sentido de “levamos uma surra de UM CARA. Temos que investigar isso urgentemente pois ele pode vir a ser perigoso.”
Se os personagens estivessem inteiros não existiria um sentimento de perigo, o guerreiro púrpura do grupo chamaria os guardas apenas pelo procedimento padrão e o clérigo e paladino não ligariam de ser acertados. A maldição das novas edições é que antagonistas e criaturas precisam ser EXTREMAMENTE poderosas para assustar personagens de nível mediano e eu não quero destruir uma cidade pra ter esse efeito. O fato do Fighter ter causado 33 de dano no primeiro turno com um crítico, decepar um braço e o inimigo olhar pra ele praticamente dizendo “é só isso que você pode oferecer?” COM CERTEZA fez o grupo gelar e não precisei matar uma vila de pessoas para mostrar que aquele antagonista é forte, perigoso e o principal, tinha habilidades que possibilita ignorar danos, recuperar membros perdidos e ele faz orações para algum deus específico e bater tão forte quanto uma ressaca de ano novo.
Os usuários de magia estão fazendo inúmeros planejamentos para ter um plano B caso fiquem sem combustível ou Beshaba esteja azarando as rolagens deles, os homens de armas estão percebendo que precisam abordar os combates de maneira cautelosa e não achar que são feitos de aço juntamente com a armadura e recursos são bem mais importantes durante o dia, fora um detalhe interessante que é o descanso muito mais lento das antigas edições. Eu olhei a ficha do guerreiro e ele está com uns 40% de HP, se ninguém curar ele o coitado vai ter que passar o dia inteiro de cama pra conseguir curar um quase nada de hit points. A união que o grupo vai ter que ter dividindo os milagres do clérigo e as poções da maga vai ter que ser acima do normal hehehe.
Isso com certeza vai fazer com que o grupo comece a escolher melhor quando e onde levantar a espada, se eles forem comprar toda luta com toda coisa que eles encontram vai chegar o momento que o HP não vai acompanhar a bravura e era uma vez um personagem. Eles vão começar a pensar em encontros mais como obstáculos a serem ultrapassados e não brigas que devem ser vencidas. É muito cansativo 90% dos jogadores que conheço que só tiveram contato com a 5e acharem que a única forma de aumentar de nível é dizimando a fauna e flora da região, não que eu ligue pra orcnoides e goblinoides, por mim tem que matar tudo mesmo porém é sempre bom tirar da cabeça deles que não é um MMO e eles não precisam ficar caçando num local pra ganhar exp e evoluir, eles podem ganhar essa experiência de inúmeras outras maneiras e assim continuar a evolução do personagem.
É, voltar para a origem Gygaxian do D&D está me fazendo bem feliz e trazendo novas experiências para meus jogadores. Aos poucos o grupo vai começar a se situar melhor e tudo vai se encaixar ainda melhor.
Domingo tem sessão e vamos ver como os jogadores vão lidar com as investigações para saber quem é esse homem misterioso que está evitando do grupo conseguir informações sobre esse grupo de aventureiros de outra região. Fora isso os outros problemas relacionados aos ataques de demônios numa pequena cidade não muito longe de Arabel e ainda saber as verdadeiras funções dos artefatos élficos que foram recuperados recentemente.
Muita coisa pro grupo resolver. Espero que eles se saiam bem hehehe Mas é isso meus caros, que suas sessões sejam incríveis e que Tymora abençoe as rolagens de vocês. Até a próxima.
E aqui estamos no dia anterior à minha mesa de D&D. Que novidades eu tenho nesse momento? Que eu nessa sexta cheguei a jogar algumas horas de RPG (que foi em partes divertido mas é história para outra postagem) e que eu aos poucos estou adaptando meu Frankenstein para servir de “sistema” na minha mesa de domingo e possivelmente nas próximas que eu venha a abrir.
Após ler bastante várias opções e ouvir meus jogadores ficou combinado que iríamos jogar AD&D. O problema disso é que no roll20 não existe uma ficha funcional e intuitiva o suficiente para jogadores com pouca ou nenhuma experiência com o sistema, com isso eu afunilei as opções para usar a ficha do AD&D 1e porém ela não é simples a curto prazo e pode não ser problema para mim ficar lendo entre os livros da primeira e segunda edição (e ainda usando o OSRIC para algumas consultas específicas), para os meus jogadores isso poderia vir a ser um pesadelo. Com isso as opções caíram para o maravilhoso Astonishing Swordsmen And Sorcerers of Hyperborea (que chamo de ASSH para facilitar) que não só possui uma ficha no roll20 absurdamente fácil para qualquer jogador de primeira viagem preencher, navegar e entender é completa o suficiente para eu seguir com meus retalhos.
Base do sistema escolhido passei para uma mudança na forma de utilizar magias. Sempre odiei a forma Vancian pois não me fazia sentido um mago extremamente experiente possuir tantas limitações. Eu sei que faz bastante sentido a explicação do cirurgião sobre como a magia funciona e etc mas nunca foi algo que me comprou completamente e uma implementação que existia na minha mesa de AD&D foi utilizar a tabela de custos dos psionics. Quanto maior seu modificador de habilidade e nível, mais magias você poderia usar.
Com isso usuários de magia tinham extrema liberdade para decidir se iriam gastar toda a energia diária em magias simples ou moderadamente fortes ou iriam gastar tudo de uma vez dependendo do problema a ser resolvido. Você simplesmente poderia passar o dia usando magias de primeiro e segundo círculo e ainda ter força o bastante para enfrentar algo mais sério num combate surpresa no fim da sessão quando todos estavam pensando que iria rolar um descanso e seu mestre ficar com cara de taxo por ter achado que tinha pego você de surpresa (lembranças de sessões na minha época de jogador, eu SEMPRE estou preparado para mais um combate). Usuários de magia começaram a ter um combustível dentro de si para ser trocado no momento que eles balançam a trama de Mystra tentando executar alguma magia. Quando mais forte eles balançam as cordas mais energia é consumida do corpo deles.
Ah, isso também se encaixa para magias divinas. Clérigos tendem a ser super poderosos se os mestres não usarem o cenário para podar um pouco eles mas como eu narro em Forgotten Realms é bem fácil deixar clérigos e derivados em cheque igual aos outros usuários de magia. Rituais clericais exigem corpo e fé daqueles que buscam a intervenção divina e esse sistema representa exatamente isso, ficar orando cânticos específicos para trazer um efeito milagroso no meio do combate. No caso de druidas e rangers fica o ponto deles terem uma ligação com as forças primordiais de criação que vem da natureza. Utilizar essas forças é perigoso e pode vir a exaurir o corpo e a alma daqueles que se beneficiam delas.
Além disso vou usar a tabela de experiência do ASSH e após o 12° nível fazer uma progressão parecida com o AD&D e continuar evoluindo os personagens de acordo com a vontade dos jogadores engajados na mesa.
Estou pensando em usar non-weapon proficiencies em forma de habilidades de classe ou algo parecido assim os jogadores terão mais opções de personalização para os personagens. Todo mundo sabe que jogadores gostam de ter bilhões de opções para deixar os personagens “únicos” mas na realidade eles só estão procurando um bônus de +1 em algum teste, não precisa ter vergonha de ser power gamer pois todos nós temos um pouco disso hehehe.
E é isso por enquanto. Esse será meu “Frankensystem” para jogar D&D nesses tempos obscuros. Tenho usado bastante do meu tempo livre (vulgo 24h por dia) para ler e escrever pois preciso fazer algo para não surtar e o RPG tem me ajudado a me manter razoavelmente centrado. Espero que vocês continuem ok nesses dias estranhos e que as coisas melhorem para todos daqui pra frente.
Bom, amanhã se tudo ocorrer bem terá sessão e mais testes com meu Frankensystem. Que Tymora abençoe as rolagens de vocês e até a próxima.
É, decidi mudar o nome da “campanha” para Aventuras em Cormyr para ter um efeito mais genérico para quando me perguntam sobre o que é de fato a campanha. Digamos que eu não tenho um plano a longo prazo onde um grande BBEG vai se manifestar se mostrando o antagonista de todos do grupo (ou talvez tenha… Vocês nunca irão saber MUHUAMUHUAMUHUA!!!) pois eu uso o background dos personagens e as ambições e sonhos deles para criar ecos no mundo e esses ecos, positivos ou negativos, são aquilo que move a campanha.
No post anterior vocês viram que eu agora uso esse hack da 5e como base e também materiais do AD&D 2e e outros sistemas para cobrir lacunas de regras e etc. Basicamente estou criando uma versão das coisas que eu gosto nesses sistemas e usando na minha mesa de D&D. Minha ideia atualmente é, se você vê numa ficha STR, DEX, CON, rola um d20 para fazer testes e executar ataques, possui HP, AC e adiciona modificadores para o d20 e precisa rolar alto você está jogando D&D. Parece simples e de fato é. Eu realmente estou gostando do material que estou lendo e ver os personagens com pouco HP, poucas habilidades e vendo que os jogadores irão precisar pensar mais como personagem do que como ficha me deixa MUITO feliz com a possível evolução na mesa.
E ai entra o assunto de hoje que seria a preparação da sessão para o primeiro episódio da campanha com esse novo grupo.
Uma ordem de um deus ascendido recentemente foi atacada. O templo em questão fica num pequeno povoado do lado de Arabel (coisa de meio dia de viagem). O ataque em questão foi numa reunião com vários clérigos e paladinos de tal ordem onde eles se viram em meio a uma horda de criaturas do abismo. Algumas baixas ocorreram inclusive um NPC ligado a um dos personagens do grupo veio a morrer (porém passa bem após ter sido ressuscitado). Uma semana se passou desde o ataque e os Dragões Púrpuras tem mandado pequenas tropas para manter a segurança da pequena cidade e caso esses demônios continuem aparecendo eles irão manter tudo nesse pequeno vilarejo porém aos poucos vidas estão sendo perdidas enquanto esses ataques acontecem.
Investigações estão ocorrendo e várias guildas se prepararam para mandar batedores e rastreadores investigarem o local e assim terem o máximo de informação para ser espalhada pelos grupos de aventureiros e para a guarda Púrpura. A próxima sessão será justamente quando o grupo atual de jogadores irá, a mando da Guilda da Luz da Meia Noite, investigar o povoado em busca de respostas.
Estou num dilema em usar algumas habilidades de edições anteriores porém pode ser que alguns dos jogadores mais novatos não achem tão divertido (olá outra vez “Energy Drain”) porém vendo várias habilidades das mesmas criaturas sinto que o senso de perigo de perder um personagem ou pelo menos feri-lo de maneira que o jogador fique na ponta da cadeira torcendo para que tudo dê certo se perdeu bastante nessas edições mais recentes. Os heróis se tornaram super heróis e isso fez com que tudo fosse uma conquista fácil. Eu gosto de mesas heroicas mas ver meus jogadores atravessando mares de desafios sem ao menos pestanejar as vezes é bem frustrante.
Atualmente tenho 4 encontros planejados. Dois deles são praticamente obrigatórios devido ao local que o grupo irá explorar enquanto os outros dois podem ser deixados de lado (ou pelo menos espero que o grupo seja esperto o bastante para escapar deles). Uma das coisas é que o EXP também será dado baseado em exploração, descobertas importantes e também arrecadar tesouros, com isso o EXP que eles ganhariam no dois combates opcionais pode ser recuperados facilmente com as outras formas (sim, sou masoquista o suficiente para usar tabelas de experiência).
Enfim, não é sempre que eu vejo uma mesa com várias house rules e digo “wow, isso pode ser divertido!” mas dessa vez eu consigo ver que algumas mudanças para deixar o jogo com a forma que você gostaria que ele fosse são muito bem vindas para evitar frustrações. “Mas por que não simplesmente joga um OSR ou até mesmo as edições antigas?” alguém poderia perguntar, as respostas são várias:
Ensinar novos jogadores o avançado do sistema numa campanha que está rolando faz um bom tempo;
Torcer para que o Roll20 possua todo o apoio para a edição ou OSR escolhido. Eu não sei programar em java para criar uma ficha personalizada e definitivamente não teria paciência para tentar fazer alguma do zero (até hoje espero uma ficha para OSRIC no roll20…);
A lista poderia continuar mas deixemos por aqui. Usar house rules de maneira que não torne o sistema outro sistema (como por exemplo uma mesa de 5e que eu vi que não usava d20… Deveras “estravagante” por falta de uma palavra melhor) não faz mal a ninguém e ainda trás sentimentos que nós mestres procuramos o tempo todo quando narramos uma mesa.
E é isso, vou dar uma vasculhada em criaturas do abismo para meus jogadores enfrentarem e preparar tudo. Pretendo fazer uma postagem após a sessão contando o resumo do que aconteceu. Até a próxima e que Tymora abençoe as rolagens de vocês!
Wow, não pensei que não iria conseguir manter postagens por causa de várias idas e vindas da vida. O mundo está de cabeça pra baixo assim como boa parte das pessoas que vivem nele porém após um hiato grande não só consegui reformular o grupo de RPG como também pretendo retornar a criar algum conteúdo para algum meio e o primeiro passo é essa postagem aqui no blog.
E a postagem de retorno nada mais é que minha carta de abandono ao D&D 5e (e provavelmente não pretendo voltar para as próximas atualizações do jogo). Nossa, o que ocorreu para um mestre com 20 anos no hobbie decidir abandonar o sistema preferido dele?
No caso não estou abandonado o D&D em si, na verdade não estou nem abandonando a quinta edição mas sim usando uma penca de hacks. Mas primeiro algum contexto.
Eu sempre fui um mestre RAW/RAI e me aproveitava da liberdade nas edições que comecei a narrar para “regrar” de acordo com as coisas que não existiam regras. Nunca senti falta de nada pois sempre consegui adaptar o que precisava e cortar o que não, “Absorva o que é útil, descarte o que é inútil e adicione o que é especificamente seu.” era meu lema e funcionou totalmente nos últimos anos que narrei D&D… Até o momento que comecei com a 5e.
No começo foi amor à primeira vista. A edição trazia um ar de old school que eu tinha perdido com a 3e e 4e e uma simplicidade e elegância que me fizeram jogar e narrar como se estivesse na minha primeira mesa. A felicidade era enorme até o momento do burnout.
A alguns meses eu venho tendo esse burnout com a 5e e mesmo aplicando coisas para deixar minha mesa com um estilo old school (afinal muitas vezes não é o sistema mas sim a forma que você joga) eu fui percebendo coisas que dificultaram cada vez mais eu conseguir narrar o sistema até o ponto de recentemente decidi desistir dele de uma vez.
Mas ao mesmo tempo não.
Eu acompanho um projeto faz um tempo de OSRs e um deles é uma hack do que seria o AD&D 3e. Não D&D 3e mas sim o AD&D. Eu li bastante e vendo várias similaridades com os sistemas mais atuais porém com regras vindas do AD&D de uma forma modernizada com bastante inspiração da 3.5, 4e e 5e e também Castle & Crusaders (um hack pra D&D que vale a pena perder uns dias jogando). Após cavar um pouco nesse mesmo site eu achei um livro que seria uma espécie de D&D 5e “Classic”.
E foi uma das surpresas mais incríveis que tive esse ano.
É literalmente a quinta edição só que sem todo monte de opções, regras, power creep e etc que veio junto com ela. As classes são simples com poucas ou nenhuma habilidade, (magos são fortes por serem magos, grande avanço) poucos ASI que são gerais e não divididos por classe mas todo resto é a 5e.
Eu li e reli boa parte do livro e conversei com meus jogadores sobre minha exaustão com o sistema e propus a mudança e vamos testá-la na próxima sessão este domingo.
Algumas mudanças que pretendo fazer além claro de usar as regras “vanilla” desse livro serão relacionadas ao HP geral (sem modificador de CON e a partir de certo nível eles não rolam mais hit dices), provavelmente sem death save (vai ser algo como chegou a 0 hp você precisa ser estabilizado sangrando -1 por turno. Chegando a -5 o personagem está dead deado) e outras coisas que vou pegar do AD&D e também dessa versão “AD&D 3e” (a autor do material tem uma criatividade imensa para deixar certas coisas legais).
Os próximos posts por aqui com certeza serão mais frequentes e pretendo fazer reportes das sessões justamente vendo os pontos fortes e fracos desse hack. Quem quiser dar uma olhada vou deixar os links por aqui do Blog do Chris com os materiais. Lembrando que TUDO é “playtest” então vai exigir experiência do mestre em ler e cobrir as lacunas.
E é isso meus caros, em breve novos posts com meus reportes do sistema, que Tymora abençoe as rolagens de vocês e até uma próxima.
Eu acho muito incrível como pessoas tendem a ser preconceituosas com D&D dizendo que “o sistema é só combate” e essas coisas. Não dizendo que elas estão erradas afinal D&D rima com Dungeon Crawler (em certos aspectos) mas não se limita a isso e depende de cada mestre melhorar sua mesa para atender as vontades de cada jogador que esteja nela. Lembre disso, mestres flexíveis conseguem mais jogadores que um mestre onetrick que sabe apenas um tipo de aventura, campanha e etc.
Enfim, seguindo com o resumo da sessão que rolou ontem na minha campanha “A Lenda de Baldir” usando D&D 5e no cenário de Forgotten Realms. O grupo que se encontra em Arabel estava se preparando para uma missão que envolve pegar dois artefatos élficos que foram roubados por um grande grupo de goblinoides de uma caravana que estava vindo de Evereska para Suzail.
Até ai tudo bem pois um grupo com 6 jogadores (em breve talvez 7) variando de nível 6 até 9 e ainda 3 NPCs úteis de nível avançado também é uma coisa bem simples de lidar. Ou não?
A tribo goblinoide se encontra nas Stonelands, que fica ao “norte” de Arabel após 3 ou 4 dias de viagem subindo e descendo montanhas depois de atravessar a floresta de Redwoods. Na floresta vários orcs e lizard kind vivem e nas montanhas quimeras, manticores e rumores de possíveis dragões sobrevoando as montanhas. Já nas Stonelands são tribos de bandidos, goblinoides e orcnoides e uma grande tribo de Wemics (esses se não forem mexidos não serão problema) e por fim um clima de inverno (eles estão no último mês de inverno então não será tanto problema) para compôr o resto da cena.
Se o grupo for esperto, planejar bem e ir com calma eles conseguem lidar com praticamente tudo que encontrarem até por que eles tem várias informações sobre a região então essa será mais uma missão de infiltração e caça do que “Fireball neles!” (ou pelo menos eu acho). Eles estão viajando em bodes montanheses então vai ser bem simples subir as montanhas e eles tem razoável conhecimento e experiência em acampamentos em locais inóspitos sempre fazendo vigília e tentando manter a atenção alheia longe deles.
O que espera eles nessa jornada é um mistério e espero que eles consigam lidar bem com todos os problemas. Grandes viagens as vezes são problemas mas criando um ritmo de combates, descobertas e alguns problemas climáticos torna as sessões um pouco mais aproveitáveis e orgânicas.
E é isso. Semana que vem trarei notícias do que rolou durante essa viagem do grupo e as novidades. Durante a semana vou tentar postar outras coisas para aos poucos criar rotina. Que Tymora garanta críticos pra vocês e abençoe as rolagens.